terça-feira, 9 de março de 2010

Entrevista com pastor Silas Malafaia

" Figura que personifica o pior da homofobia evangélica, só abre a boca para fazer agressões com seu tom histérico, sempre gritando e usando palavras cheias de maldade.
Sem dúvida uma mente deformada pelo ódio que usa a palavra de Deus para pregar o mal. "
Andre Fischer Mix Brasil - http://mixbrasil.uol.com.br/blogs/andre-fischer/2010/03/09/pastor-do-mal.html



http://www.youtube.com/watch?v=h1cLug4Vx_M&feature=player_embedded#


Eu fico impressionada.. é por isso que o Brasil não vai pra frente..
Um cara desse, além ser um estúpido, com idéias absolutamente tortas, ainda é influente pra uma população carente de estudos e reflexões. Destaquei algumas coisas que mais me chamaram atenção. Não julgo aqui a crença religiosa do mesmo, mas a postura dele como indivíduo, independente de cor, sexo, e crença.

- Você poder ser bandido, corrupto, porque Deus não impede, se quer ser homossexual ele também não impedirá.
- Grande parte dos homossexuais foram abusados, e pessoas abusadas tem tendência fortissima de abusar de crianças, ou seja, a maioria dos homossexuais tem uma forte tendencia, então.
- Deus fez a coisa perfeita, a construção de 'famílias homossexuais' seria desarrumação social.
- Há anos havia repressão a prática homossexual, e agora 'se abriu geral' (não sei em que mundo que ele vive), esperemos um tempo e veremos a deprevassão moral que será encontrada.
- Na PL 122, essa lei diz que o camarada é livre pra expressão, então o pedofilo está amparado pela pl 122, é a expressão sexual dele.
- vai aparecer 'todo raio de bicho sociologo' pra falar que a pedofilia não.. que a criança mesmo que tenha relação sexual com uma idade prematura depois vai passar por um processo de maturação, vai entender e 'aquilo não vai estragar "
- Uma chinela não mata, e "Fustigas teu filho com varas e nem por isso o matará, e você vai livrar uma alma do inferno"
"Eu tomei correada e to aqui." É... estamos vendo como você está.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009


Então, meninas... como parte das comemorações no mês da Visibilidade Lésbica, a ALFAN tá organizando o L games, um torneio de fitsal feminino. Os times serão inscritos na hora, e depois vai rolar um churrasquinho pras meninas. Vai ser bem bacana, e a gente conta com a presença de todas vocês!
Olá meninaaas! Como vocês já devem estar sabendo, esse será o mês da Visibilidade Lésbica, e acontecerão várias comemorações no Rio de Janeiro. To deixando a agenda, apesar de alguns eventos já terem ocorrido.
Beijos!

PROGRAMAÇÃO MÊS DA VISIBILIDADE LÉSBICA NO RIO DE JANEIRO

24 de agosto (Segunda-feira)

18h – Abertura da Exposição “O que trazemos nos peito”
Local: CEDIM - Rua Camerino, 51.9518
Realização: Fórum de Lésbicas e Mulheres Bissexuais do Estado do Rio de Janeiro
19h – Abertura da Exposição “Olhar de Mulher”
Local: Castelinho do Flamengo - Praia do Flamengo, 158.arco-iris@arco-iris.org
Realização: Grupo Arco-Íris de Cidadania LGBT

26 de agosto (Quarta-feira)
19h – Café com Bolacha Especial – Confecção de Máscaras
Local: Nova Sede do GRUPO Arco-Íris, Rua do Senado, 230 – Cobertura – Centro (Próximo a Praça cruz Vermelha)2-7286/2215-0844/2334-5545/2334-5 -iris@arco-iris.org
Realização: Grupo Arco-Íris de Cidadania LGBT

27 de agosto (Quinta-feira)
19h – FESTA DA VISIBILIDADE LÉSBICA e APRESENTAÇÃO DA BANDA BRIGITE
Local: Centro Cultural Casa de Jorge - Rua do Resende, 26.
Entrada franca
Realização: Grupo Arco-Íris de Cidadania LGBT
20h – Projeto ELAS NA PRAÇA pela Visibilidade Lésbica de São Gonçalo
Local: Praça Zé Garoto – Centro de São Gonçalo
Show com a cantora Luciana Marinho e o dj Rodrigo Lima.iberdade@hotmail.com
Realização: Movimento de Lésbicas de São Gonçalo e Grupo Liberdade de São Gonçalo.

29 de agosto (Sábado)

10h às 21h – Pré LesbiFest – Cultura e Diversidade
10h às 12h – Oficina do Corpo do Projeto laços e Acasos
12h às 13h – Brunch
14h às 17h - Sessão de curtas e debates
17h às 19h - Roda de Leitura – Poesias e Contos Eróticos
19h às 21h - Sarau e Esquetes Teatrais
Local: Castelinho do Flamengo - Praia do Flamengo 154.2222-7286 / 2215-0844 / Realização: Grupo Arco-Íris de Cidadania LGBT arco-iris@arco-iris.org

09h às 17h – 1º Seminário Direitos das Mulheres Homoafetivas
Violências X Lei Maria da Penha; Diversidade Parental
Local: CEDIM - Rua Camerino, 51.ormações: 2334-9508 e 2334-9518
Inscrições: Até 15/08
E-mail: seminario@orgulho.org
Realização: Movimento D’ELLAS

14h - LGAMES – Torneio de Futebol contra a Lesbofobia
Local: Clube Marajoara
Alameda São Boaventura, 136. Fonseca - Niterói.: amazonasnit@yahoo.com.br
Realização: Amazonas – Associação Lésbica Feminista de Niterói


22h- Baile de Máscaras
Local: Miscelânea Laços e Acasos - Rua do Resende, 22.iris@arco-iris.org
Entrada: R$10,00
Realização: Grupo Arco-Íris de Cidadania LGBT

30 de agosto (Domingo)

13h – 1ª Caminhada de Lésbicas e Mulheres Bissexuais do Estado do Rio de Janeiro na Praia de Copacabana
Concentração: Posto 6 em direção ao Hotel Copacabana Palace.
Realização: Amazonas - Associação de Lésbicas Feministas de Niterói, Coletivo de Lésbicas Elizabeth Calvet, Fórum de Lésbicas e Mulheres Bissexuais, Grupo Arco-Íris de Cidadania LGBT, Grupo de Mulheres Felipa de Sousa, Grupo Triângulo Rosa, Movimento D’ELLAS e Núcleo de Lésbicas e Mulheres Bissexuais do Grupo Sete Cores.

domingo, 17 de maio de 2009

Encontro "Ciranda das Letras"


O “Ciranda das Letras” está a cada encontro mostrando a que veio. No último dia 13, recebemos a escritora Cidinha da Silva que nos apresentou suas personagens femininas. A partir delas falamos sobre amor, feminilidade, sexualidade, casamento, adoção, relações geracionais, visibilidade lésbica e vontade política de todos para o emponderamento das mulheres.
Com seus contos maravilhosos, Cidinha nos conduziu para a aprendizagem de nós mesmas. Nos fez refletir sobre quanto a literatura pode nos levar a construir nossa identidade e através dela descortinar um outro olhar sobre nossa relação com o mundo.
A sensibilidade demonstrada por nossa autora suscitou depoimentos das participantes de como elas aprenderam com nosso encontro. A vontade de se aprofundar cada vez mais no mundo da leitura. A vontade de aprender mais sobre os múltiplos olhares provocados por escritos.
De forma despretensiosa e numa linguagem bastante segura, Cidinha consolidou a idéia de que é possível buscar a identidade feminina através da literatura e construir articulações sólidas para a construção da mulher cidadã.
O “Ciranda das Letras” está muito feliz de ter a chance de mostrar que nós mulheres temos o direito de buscar o intercâmbio de informações culturais e a partir de então refletir e reivindicar o inclusão da mulher na construção de uma sociedade mais justa.
Para algumas isto pode parecer exagero. Podem dizer que a mulher já tem seu papel definido no imaginário social e que muitas se sentem confortáveis nos papéis que lhes são atribuídos. Bem, acreditamos que no momento em que se dá a importância da educação continuada, principalmente em países em que a erradicação do analfabetismo ainda é produto de ações do Estado, a mulher continua em posição estratificada nas relações sociais. As distribuições de poder ainda pendem para a hegemonia hetero-masculina e com isto o papel social da mulher, ainda que haja um forte movimento de mudança deste paradigma, é visto como secundário, acompanhado de forte discriminação e violência.
Agradeço aqui a presença de Ângela, Cristina, Flávia, Giulia, Josiane, Mayara, Sandra, Shaja, Valéria e Vilma que muito contribuíram com suas idéias para o sucesso do nosso encontro.
Um agradecimento mais que especial à querida Cidinha da Silva por emprestar ao “Ciranda das Letras” sua sensibilidade e seu incontestável talento.
Quem quiser saber mais sobre esta autora maravilhosa basta acessar seu blog (http://www.cidinhadasilva.blogspot.com/ ) e perceber que não exagero.
Aproveito para convidá-las, queridas amigas, para o nosso próximo encontro dia 03 de junho às 19 horas em nossa sede cultural Café com Arte Garagem Atelier que fica na Rua José Bonifácio, n. 11 – São Domingos (próximo à Praça da Cantareira) em Niterói.

Um forte abraço
Márcia Ribeiro
Projetos - Amazonas

Leskut: A festa - RJ


Olá pessoal. Estamos trazendo pra nossa comunidade mais uma feliz parceria: a LESKUT PRIDE. Vamos levar nosso projeto de prevenção Menina Também Usa. Vamos à festa galera! Paquerar e fazer sexo seguro.

Mais informações e vendas antecipadas:
Carol - 8780-3530
Flávia - 9363-4721
Ranara - 9122-6869
Suzanna - ID: 24*11345 / 7817-3872
Casa da Lua - Rua Barrao da Torre, 240 A - Ipanema - Falar com Rô
Juliana - 92437714 (Nossa Diretora de Comunicação)
Café com Arte (Nossa Sede Cultural)
Rua José Bonifácio, n. 11 - São Domingos (Próximo à praça da Cantareira)
Falar com Angela

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Um alô


Queridas amigas Amazonas.

Estamos devendo postagens mais recentes em nosso blog. Em breve, é uma promessa, estaremos de volta, fortes e atualizadas, podem aguardar. Enquanto isso que tal uma releitura nas mensagens já postadas e sugestões para o nosso blog?
Aproveito a oportunidade para convidá-las para mais um encontro do "Cirandas das Letras", no dia 13 de maio às 19h em nossa querida e especial Sede: Café com Arte.
Um forte abraço.
Márcia Ribeiro
Projetos Amazonas

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Projeto LGames


L Games – Futsal

A crescente mobilização de diversos setores sociais tem privilegiado o reconhecimento da prática esportiva como transformadora da convivência homogênea entre as diferenças.

Enquanto praticante, a mulher vem ocupando diversas modalidades esportivas, dentre elas o futebol.

Há algum tempo o futebol era considerado esporte estritamente masculino. Mas países como os Estados Unidos da América, China e Alemanha, considerados potências do futebol feminino, desencadearam um processo de reconhecimento e democratização desta modalidade esportiva, modificando posturas e possibilitando o sucesso profissional de algumas jogadoras. E mesmo havendo ainda preconceito, a mulher vem ganhando cada vez mais espaço no futebol em países como o Brasil.

As Amazonas de Niterói atentas a este processo apresenta o L Games, um projeto que tem por objetivo promover o esporte e as atletas de Niterói, integrar a comunidade ao crescimento do futebol feminino, bem como desconstruir mitos sobre a não possibilidade da prática da modalidade pelas mulheres e combater todas as formas de preconceito, promovendo a socialização entre as atletas, independente de sua raça/etnia, classe, orientação sexual e religiosa.

Participe do nosso projeto e ajude no fortalecimento da igualdade e da fraternidade, o respeito à diversidade cultural em nossa cidade.

Entre em contato e inscreva-se!

Onde acontece: quadra de futsal da UFF – Avenida Rio Branco, s/n., Campus do Gragoatá.

Quando acontece: aos sábados, 6 horas da manhã e 7 horas da noite.

Maiores informações: Rua da Conceição n°137/ sala 611, Centro-Niterói – RJ – Cep 24.020 – 083 – telefone: (21) 3021-5344

Contatos: Graziela – Cel. 8865-5445 e Joseane – Cel. 8676-9286

Projeto Menina Também Usa



É compreensível em nossa época, a atenção dada aos dados epidemiológicos acerca da AIDS, uma doença existente no mundo inteiro e que atinge milhões de pessoas, independente de sexo biológico, identidade de gênero, orientação sexual, raça/etnia ou classe social. Desestigmatizar os inúmeros mitos da doença além de um desafio é um compromisso para tornar melhor a vida de nossa sociedade, promovendo a cidadania dos portadores e um avanço para a descoberta da cura.

Após o lançamento do Dossiê “Saúde das Mulheres Lésbicas: Promoção da eqüidade e da integralidade” pela Rede Feminista de Saúde, vieram à tona, informações que até então eram totalmente desconhecidas pelo próprio Movimento LGBT, as questões sobre saúde das Mulheres Lésbicas e Bissexuais, sempre se mantiveram à margem dos estudos, por não pertencer às categorias reprodutivas da sociedade. Portanto, na medida em que as reivindicações dos direitos sexuais não-reprodutivos, integram-se como parte dos direitos humanos das mulheres, sendo compreendidas como argumento que dá suporte às Lésbicas, suas especificidades vêm ganhando, nos últimos anos, apoios de diferentes agentes sociais (feministas, militantes lésbicas, técnicos de agências governamentais, como Ministério da Saúde e o da justiça)

Com o objetivo de realizar campanhas de prevenção DST/AIDS voltada ao público de mulheres lésbicas, bissexuais e msm (mulheres que fazem sexo com mulheres) e conscientizar o público alvo sobre os cuidados de higiene e asseio para práticas sexuais, o projeto “Menina Também Usa” espera contribuir nas ações de prevenção, buscando sempre um grau maior de visibilidade das mulheres que não se enquadram no perfil heterossexual reprodutivo, inclusive fomentar métodos preventivos para o segmento lésbico.

Para tanto contamos com as contribuições essenciais do Grupo de Mulheres Felipa de Sousa, organização pioneira neste tipo de projeto que permitiu inclusive o acesso ao material pesquisado e a utilização do Projeto “Espelho de Mim” como fonte.

Além das campanhas de prevenção e conscientização temos como meta: Disseminar sobre a importância do teste de HIV e do sexo seguro entre mulheres, instruindo sobre as formas de contágio e suas respectivas técnicas de prevenção; mapear e cadastrar mulheres para realização de pesquisa quantitativa e serviços de assistência médica; facilitar o acesso a exames preventivos e tratamentos ginecológicos gratuitos; combater o preconceito existente nos serviços de saúde em relação às práticas homoeróticas femininas, como
também investir na formação dos profissionais e promover a cidadania e o bem estar psico-social das mulheres lésbicas e bissexuais do Município de Niterói.

Contamos com todas para o sucesso de nosso empreendimento.

Entre em contato e seja uma voluntária.

Contatos: Graziela Cupello – Cel.: 8865-5445 e Áurea Pacheco – Cel.: 8634-9482

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

FAXINA NA ALMA


Não importa onde você parou...
em que momento da vida você cansou...

Recomeçar é dar uma nova chance a si mesmo...
é renovar as esperanças na vida e o mais importante...
acreditar em você de novo.
Sofreu muito nesse período?
foi aprendizado...
Chorou muito?
foi limpeza da alma...
Ficou com raiva das pessoas?
foi para perdoá-las um dia...
Sentiu-se só por diversas vezes?
é porque fechaste a porta até para os anjos...
Acreditou que tudo estava perdido?
era o início da tua melhora...
Pois é... agora é hora de reiniciar... de pensar na luz...
de encontrar prazer nas coisas simples de novo.
Um corte de cabelo arrojado... diferente?
Um novo curso... ou aquele velho desejo de aprender
pintar... desenhar... dominar o computador... ou qualquer outra coisa...
Olha quanto desafio...
quanta coisa nova nesse mundão de meu Deus te esperando.
Tá se sentindo sozinho?
besteira...
tem tanta gente que você afastou com o seu "período de isolamento"...
tem tanta gente esperando apenas um sorriso teu
para "chegar" perto de você.
Quando nos trancamos na tristeza...
nem nós mesmos nos suportamos...
ficamos horríveis...
o mal humor vai comendo nosso fígado...
até a boca fica amarga.
Recomeçar... hoje é um bom dia para começar novos desafios.
Onde você quer chegar? ir alto... sonhe alto...
queira o melhor do melhor...
queira coisas boas para a vida...
pensando assim trazemos prá nós aquilo que desejamos...
se pensamos pequeno... coisas pequenas teremos... já se
desejarmos fortemente o melhor e principalmente
lutarmos pelo melhor...
o melhor vai se instalar na nossa vida.
E é hoje o dia da faxina mental...
joga fora tudo que te prende ao passado...
ao mundinho de coisas tristes...
fotos... peças de roupa, papel de bala... ingressos de cinema...bilhetes de viagens...
e toda aquela tranqueira que guardamos quando nos julgamos apaixonados...
jogue tudo fora... mas principalmente... esvazie seu coração... fique pronto
para a vida... para um novo amor...
Lembre-se somos apaixonáveis...
somos sempre capazes de amar muitas e muitas vezes...
afinal de contas...
Nós somos o "Amor"...
Porque somos do tamanho daquilo que vemos, e não do
tamanho da nossa altura.
Sempre vai existir um ser além de nós, e confia nele agora, que ele guiará os teus passos ..

TENHAM TODOS UM ANO NOVO REPLETO DE LUZ!


(Carlos Drummond Andrade)

domingo, 7 de dezembro de 2008

Uma noite no Botequim Atelier

E de repente entra no ar o olhar brilho...
Qual não chega a moça que não cumprimenta ninguém. E olha e seduz. Não com o olhar. É com seu não estar. Sua não presencial figura voadora.
Chega o cara: um isolamento no universo feminino. Tranqüilo como um sinal de música e pega o violão e toca.
_ Não falei? Sinal de música! Chama a atenção.
E somem aqueles que não fazem nada. Parece um ir e vir de gente perdida no botequim. Talvez seja porque todos se conhecem e acreditam que não irão encontrar papos diferentes por ali. Sei lá...
_ Vamos aplaudir pessoal! Vamos rir! Uaaaaaaaaaaaaaaaaaaaauuuuuu! Risos e aplausos. Qual como diria, não tem o quê!
Encontro várias faces que apresentam sentimentos diversos. Sentimentos que não transparecem no olhar. Afinal, estamos na Brilholândia. E aqui tudo fica escondido. Alguns (os brilho-intelectuais) poderiam dizer que o subjetivo acontece com freqüência na Brilholândia. Quem vai saber _ Afinal, a subjetividade faz parte da construção do humano. Não fosse por ela seriamos todos completamente literais e previsíveis. Desculpem, estou divagando. Vamos aos fatos.
Uma bela noite de quarta-feira – um belo feio olhar – novamente divagando... Voltemos a tal crônica. Crônica!!!??? Bem, tento né...
Cheguei ao “Botequim Atelier”. Cumprimentei meu querido anjo _ Hei gente! Tenho um anjo! E iniciei com café. Então... E a (H)estória começa a mudar... É que na cabeça do bebedor – à altura desta escrita eu já havia abandonado o café e caído na cerveja – achamos que todos os fatos se encontram. E se encontram no momento que conseguimos a seqüência da coisa – o que não é meu caso, claro.
Saí com vontade de ir ao bar e ver minha amiga e olhar os outros “migos” que encontramos sempre. Desculpem! Neste momento estou vendo a de cabelo desgrenhado que tive vontade de comer (nossa!!! Que coisa horrível de dizer). Decididamente preciso dar um tempo da Brilholândia. Tô falando igualzinho a elazinhas... (rs)... Nada Contra...
Bem, preciso escrever esta crônica do Botequim, senão o patrão (eu mesma) brigará comigo.
Uma loira. Outra ruiva!? Sei lá. Mas a loira contou uma história.
Antes falou daquela que vocês não sabem e nem vão saber. Afinal, ela não quer saber que saibam, que pena!
Eis que vem a história do motel: a loira fala de um conto de Cinderela que viveu. A versão erótica é claro. E ela conta... Bem, não entremos em detalhes. Vocês que freqüentam motel saberão ler nas entrelinhas, né? As histórias de motel são sempre as mesmas: homens brocham sempre quando as mulheres resolvem dar no couro (isto inclui aquelas posições que não falamos que fazemos).
E me perguntam quando minha escamoteada (subterfúgio?) crônica ficará pronta. Querem ler. Eu disfarço e falo _ Bem, vão sair do motel...Alguém pergunta: e o motel _ Já disse, vamos sair do motel... Ops! (rs). Trocadilhos. Respondo: _ Estas mesmas histórias cansam. Homens, Bah!
E agora escrevei parte deste tão pretenso episódio. Preciso, como vocês devem saber, de alguns momentos de falas quebradas que estão presentes nos papos de botequim. Não vou me estender aos vários períodos intercalados: conversas sérias e papos incongruentes vivenciados. Será divagar novamente. Vou tentar considerar o que foi dito como mais uma história de botequim. Histórias que não têm fim. Talvez não seja possível construir as entrelinhas do contado. Ah! Antes que eu esqueça. E ao final das contas do bar, aparece o “macho” com aqueles trejeitos de caminhoneiros tipo: _ Hei! Num posso “encostar” em você porque sou tão macho quanto. Caramba! Igual a esta expressão, só o que presenciei. É mesozóico!
Considero a mulher bomba, castanha, que se diz a “maravilha”. No final, é só mais uma tentando se afirmar no que não existe entre mulheres. Vai fazer o quê. Isto ainda acontece. Será que é o código do pulso? Vocês sabem, aquele que segura com o dedo que está preso à mão e preso ao pulso e preso à uma idéia... (as brilho-machos de plantão). Não sei qual o nome da mulher “maravilha” ou “biônica”, mas não importa. A idéia ou a pretensão dela é o que me chama a atenção. Amanhã eu penso sobre isto. Quem sabe não será mais um episódio de Brincando na Brilholândia.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

O Olhar

De vez em quando é bom perscrutar o olhar brilho, ou aquele que está por trás das aparências. Cometemos enganos, claro. Afinal na Brilholândia quando não conhecemos os donos do olhar, só o que podemos fazer é especular, opinar. Muitas outras vezes não. Ao observar mais atentamente vemos o segundo brilho, o não febril, o que não está lá, o que fala além, essas coisas. Talvez o brilho se reflita no cabelo. Cabelo que esconde o que vai ao pensamento. O que nos impede de olhar o olhar por trás. Às vezes o olhar se reflete no movimento do corpo, a cadência da música, no sentimento por trás da interpretação (seu reflexo). Às vezes não, só brilho (“nem tudo que reluz é ouro”).
Outro dia estava eu na madrugada de mais uma peregrinação pela Brilholândia, quando resolvi observar melhor o olhar brilho. Fragmentos de sentimentos se apresentaram a mim. Eu fiquei um pouco surpresa, não sei se literalmente ou por intuir, a camuflagem atrás do cabelo e posturas diversas. Vários olhares em uma só. Claro que estou falando de uma mulher (elas são menos diretas em seus olhares, mais enigmáticas, portanto, mais interessantes). Ela olha tudo (todos?!). Nem tudo. Faz parte do brilho (vixxi! Lá vou eu direto pra divagação). Bem, encontrei algumas coisas naquele olhar. Pedi a opinião de terceiros. Confirmaram isto e negaram aquilo, mas no geral concordaram comigo em algumas coisas. Aqui não irei desfiar um rosário de nada. Só os fragmentos do que me disseram. No reflexo da música, a camuflagem de certa tristeza, um medo de algo inexplicável (para esta autora é claro), uns gestos fluidos, inseguros. Uma busca por amor? Algum hermetismo. Nossa! Quanto mistério. Vocês acham que vou divagar novamente?! Não! O caso é que os múltiplos olhares causam efeitos diferentes, porém uns mesmo efeitos, entenderam? Vou tentar explicar. Talvez não consiga. Eu já disse que podemos incorrer em erros (ah! Antes que eu esqueça o mesmo ali de cima quer dizer mesmice, por isso está no singular. Será que está certo? Sei não. Fico perdida às vezes, nesta nossa tão singular língua). Parênteses à parte, vamos ao que interessa. Notei a mulher encantada com o cabelo, insinuando uma noite quem sabe... (risos). Observei as pernas bambas da lesbian chic, fazendo uns gestos de jura de algo eterno. Os “bebuns” de plantão cantando as músicas popularmente entoadas. Cadê aquele repertório do início. Era bom. O ar de fastio no ar, talvez já intuindo a saturação. Mas o jogo de corpo que é o barato da coisa. Tem sua graça e às vezes é engraçado mesmo. Mas o efeito, ah! O efeito... O mulherio fica meio alucinado e mal disfarça seus desejos. A “homarada” só olha e diz esta mulher é gostosa. Até os casaizinhos perdem o rebolado... Na falta de Angelina Jolie, quem sabe uma fantasia com ela aí... A turbulência acontece e o reconhecimento do olhar brilho se faz. É intrigante (opinião pura gente). Tem um quê de mistério mesmo. A insinuação está ali, mas falta algo que preencha as vontades. Talvez seja a consolidação do não revelado. O olhar brilho continua hipnotizando alguns. Falo de alguns porque nem todos vêem os olhares. Talvez um pouco do corpo que fala, porém os olhares perdem-se na cabeleira. Talvez nada, estão apenas querendo um bate-papo com os amigos, umas cervejas, músicas. Ela merece ao final um segundo olhar. Não pelo enfadonho rebolado, reservatório de múltiplas fantasias. Não o olhar brilho. Vocês sabem, na Brilholândia é perigoso levar a sério certos olhares. Pode confundir os sentimentos. Criar ruídos na comunicação. Distanciamentos, estas coisas. Merece o segundo olhar naquilo que está inscrito na memória (tá na hora de fechar isto aqui senão vou divagar novamente (risos)). Vou deixar em aberto e olhar o entorno. Perscrutar os outros olhares e o que eles podem causar naquele único olhar. Mas aviso de antemão que os múltiplos olhares não são características só da mulher em questão. A maioria de sua profissão tem isso. Algumas talvez usem menos. Mas estão lá.

Por Márcia Ribeiro

terça-feira, 25 de novembro de 2008

http://paradalesbica.com.br

Mais um episódio de Brincando na Brilholândia: Um brinde a ela

Por Márcia Ribeiro
13 de outubro de 2008.

12 de outubro, um domingo especial. Dia da Padroeira do Brasil – para quem não sabe, Nossa Senhora Aparecida. Dia das crianças também. Aliás, não sei porque. Acho que todo dia é dia de crianças. Mas não vou falar de nada disto. Um dia especial ou se revelaria assim, porque é dia de Parada Gay. Parada do Rio.
A partir deste trecho precisarei escolher sobre o que falar: sobre diversidade – e isto quer dizer o respeito às meninas e meninos que se relacionam com pessoas do mesmo sexo (viva o LGBT!)? Ou falar da Lei (n° 2.475/96 e outras) sobre discriminação homossexual (isto inclui os outros membros da sigla, viu gente, o LBT). Não! Vou falar do brilho, aquele que propõe uma busca ou a falta dela.
Um belo dia de domingo. Combinamos o encontro na Estação das Barcas. Pessoas desconhecidas, meras conhecidas, amigas, meras amigas. Todas lá.
E a Parada estacionada no Posto 6 em Copacabana nos aguardando.
O metrô da Carioca também estava lá nos esperando. Pagamos, entramos e a chamada de ordem: “eta, eta, eta, eu gosto é de rimar!”.
Um domingo atípico no metrô da Carioca. Muitas pessoas, a maioria indo a direção a Arcoverde. As meninas estavam animadas. Todas. Uma comentou, brincando:
_ Nossa! Mulher beijando mulher pode isso? Mulher com mulher vocês sabem, né.
Outra disse:
_Qual nada. Acho ótima a invasão das “pererecas”. Quero que o mundo acabe em “pereca” pra eu morrer afogada no líquido.
Finalmente, chegamos ao destino, ufa! E mais uma vez a chamada de ordem: “eta, eta, eta, eu gosto é de rimar!”.
Ora, ora! Esta autora descobre, finalmente saindo do transe auto-imposto (e não perguntem o porquê), que é a única a conhecer nada da maioria do grupo.
Bem, vamos à Parada!
Na realidade não vou (e nem quero) falar da Parada. Vou falar de pessoas. Pessoas que fazem a Parada, ou melhor, dizendo, os brilho-parada. Aquelas pessoas várias que estavam ali por variados motivos. Talvez o principal deles fosse a diversão, não a diversidade. Muito brilho houve. E pessoas diferentes. E o que chamou a atenção (da autora, vamos deixar claro): o sentimento de algumas, contrárias aos chatos discursos (grande retórica!).
Eu vi o brilho de tristeza daquela que queria beijar e não beijou.
Eu vi a perdida se perguntando o que estaria fazendo ali. Talvez ela não estivesse pedida e sim entediada, vai se saber...
Eu vi a menina-brilho só querendo se divertir.
Eu vi a panfletista fazendo a propaganda de sua festa.
Eu vi a descolada em sua autopromoção. Vi também a que só falava com as amigas.
Eu vi a militante querendo discursar e não conseguir _ ela ficou chateada. Até eu ficaria. Afinal, seguíamos um carro de mulheres e não ouvimos as mulheres. Onde estão as mulheres?!
Eu vi muitas paqueras e paqueras de paqueras. Então perguntam _ o que é paquera de paquera?
_ Paquera de paquera significa não estar querendo ninguém. Apenas mostrando o olhar de interesse que não significa nada além do querer se mostrar. Entenderam? Não? Nem eu. Acho que é o brilho.
Houve até aquela que mostrou os peitos, e não me perguntem o motivo. Não saberia responder.
E o ciúme, ah! O ciúme. Destrói qualquer momento...
E a volta pra casa...Antes, muita cerveja, papos, cochichos (fala de mim que eu pensarei em você, estas coisas). Uma proposta: _ vamos todos ficar bêbados e dançar até cair. Então, o cansaço e como disse, a volta. E o sentimento...De nada. Só brilho. Ofuscante brilho.
Moral da história. Fica a pergunta no ar, aliás, duas: e o motivo de estarmos ali para lutar pelo direito de expressar o amor? Encerra-se no simples ato de beijar, como o berrado de um gogó estridente masculino. Berro advindo do carro-brilho, de um palco-brilho?
_ E agora, para mostrar que este é o nosso dia vamos todos nos beijar. Mostrar pro mundo que somos gente, gente! (nossa!).
E onde estariam as mulheres com seu grito libertário: somos mulheres, lésbicas e exercemos os deveres cidadãos. Portanto, exigimos o direito de existirmos e o respeito ao direito de exercermos. Talvez estivessem ali, não sei. Apenas descrevo o que vi, brilho.
Portanto, faço um brinde a Brilholândia. Afinal, ela merece nosso respeito por ser um enigma, uma cidade de busca, um simples brilho. Mesmo assim, merece um brinde, no mínimo por ser divertida. E vamos à chamada de ordem (divertida, eu achei): eta, eta, eta, eu gosto é de...Rimar!!!

Ciranda das Letras: Em busca da identidade feminina através da leitura.



“A leitura é uma expressão política”.
“Através dela podemos exercer nossa cidadania”.

Falas como estas remetem ao pensamento da importância da leitura como subsidiária da construção do indivíduo. Nossas leituras significando a constituição de nossos saberes, nossas memórias e pode proporcionar a libertação de nossos quereres e, consequentemente, nossos posicionamentos diante do dito, do visto.
A leitura transformada em instrumento de ação cidadã.

De que maneira se pode construir a consciência da pluralidade feminina através da leitura?

Pensando neste processo criamos o Projeto Ciranda das Letras que busca formar leitoras e através de suas múltiplas leituras, transformar idéias em ações, elucidando caminhos para a construção de leituras próprias de mundo, assim como incentivar a integração de mulheres na luta contra a exclusão social e a partir da auto descoberta de sua identidade, a mulher se reconhecer como representante legítima da construção de sua cidadania.

No momento em que se dá a importância da educação continuada principalmente em países em que a erradicação do analfabetismo ainda é produto de ações do Estado, a mulher continua em posição estratificada nas relações sociais, em vista disso, percebemos que através de um projeto de leitura, é possível alcançar um intercâmbio de informações culturais com as participantes, conseqüentemente refletir sobre o papel da mulher na construção de uma sociedade mais justa e então buscar confrontar e contestar as distribuições de poder existentes: buscar um melhor acesso à educação, à saúde física e mental, uma crítica a mídia pela superficialidade com que tratam os temas, e se fortalecer contra a violência e a ausência de cidadania imposta. É a importância da informação como instrumento de poder para a construção da memória, do conhecimento e da identidade.

Este é um projeto aberto a todas as mulheres, em especial a mulher lésbica que há muito vem sendo estigmatizada nas discussões acerca das identidades femininas.

Vale observar que desde o início do Movimento Feminista, a sociedade machista as acusa de odiarem os homens e as reivindicações são frutos de sua orientação sexual desviada do papel que a mulher deve desempenhar: a mulher concebida e criada para as funções domésticas e de procriação. Em vista disto muitas feministas isolaram as questões lésbicas em busca do afastamento do que consideraram estigma.

Com o exposto percebemos que através da leitura podemos buscar subsídios para discutir não só a lesbianidade local ou externa, como também refletir sobre a questão da educação feminina no Brasil e as conseqüências advindas da não orientação adequada ao papel social desempenhado pela mulher em nossa sociedade.

Para tanto apontamos algumas provocações que terão relevância em nossas leituras:
• Em busca da identidade:

O feminino é bonito. Somos mulheres que gostamos de mulheres. Não precisamos construir artificialismo nem confundir orientação com identidade já que esta última no imaginário social vê a lésbica como mulher que se comporta igual aos homens, de forma masculinizada. O que para algumas acaba por se transformar numa forma de transgredir e assumir publicamente sua lesbianidade, inclusive reproduzindo os discurso de gênero, isto é, prevalece o masculino e há o apagamento do feminino.

• A mulher estigmatizada

No imaginário social as mulheres são passivas nas relações sexuais.

• A amor como construção cultural

As mudanças sociais ocorridas a partir dos movimentos de minorias eclodiram nos anos de 1970 no Brasil e a revolução sexual surgiu em meio às várias reivindicações interferindo inclusive na estrutura familiar, o que culminou nos questionamentos do papel da mulher na sociedade.

• Um lugar para se expressar

Todos sabem que não existem muitos lugares somente para meninas. E, aqueles que estão disponibilizados, são estereotipados.

Queremos oferecer um lugar onde construir uma identidade saudável sem os fantasmas sociais que rondam nosso cotidiano: ser ou não ser, eis a questão.


Esperamos com o projeto:

Instrumentalizar a mulher para se constituir em elemento transformador de leitura e interpretação de textos literários ou não;

A mulher enquanto escritora de sua memória e não simples leitora de sua história;

Através dos múltiplos olhares, construir seu próprio texto e então sim, tornar-se leitora da própria escrita.


Contamos com vocês mulheres para o sucesso de nosso empreendimento!


Márcia Ribeiro

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

25 de Novembro Dia Internacional da Não Violência contra mulheres


16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres.



25 DE NOVEMBRO DIA INTERNACIONAL DA NÃO VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES.

TEM MULHERES LÉSBICAS, BISSEXUAIS E TRANSEXUAIS NA PARADA, PELA ABOLIÇÃO DO RACISMO, MACHISMO E HOMOFOBIA.



- 25 de novembro foi declarado Dia Internacional da Não-Violência contra as Mulheres no primeiro encontro Feminista da América Latina e Caribe organizado em Bogotá, Colômbia, de 18 a 21 de Julho de 1981.

Neste encontro, houve uma denúncia sistemática de violência de gênero, desde os castigos domésticos, às violações e torturas sexuais, o estupro, o assédio sexual, a violência pelo governo, incluindo tortura e abuso de mulheres prisioneiras. Este dia foi escolhido para homenagear o violento assassinato das irmãs Mirabal (Pátria, Minerva e Maria Teresa) no dia 25 de Novembro de 1960, pelo ditador Rafael Trujilo, na República Dominicana. Em 1999, as Nações Unidas reconheceram oficialmente o 25 de Novembro como o Dia Internacional da Não-Violência contra as Mulheres.

A Articulação Brasileira de Lésbicas- ABL incluindo a homoafetividade feminina nesse momento lembra Fannyann Eddy.

Fundadora da associação LGBT de Serra Leoa, palestrante, tanto na Organização das Nações Unidas como em outros órgãos, que Citava"Vivemos com medo em nossas comunidades em virtude do assédio e da violência originária de vizinhos e outros." Os ataques homofóbicos ficam impunes perante as autoridades, o que encoraja o tratamento discriminatório e violento desses grupos contra gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros", disse certa vez ao falar nas Nações Unidas.

Eddy foi assassinada em 28 de setembro de 2004, dias depois de ter dado depoimentos sobre as ameaças de violência por que passam lésbicas e gays. Homens entraram à noite na Associação de Lésbicas e Gays de Serra Leoa — Sierra Leone Lesbian and Gay Association (SLLAGA) —, onde ela trabalhava, estupraram-na e a espancaram, além de quebrarem seu pescoço, levando-a a óbito. Fannyann deixou um filho de 10 anos de idade, e sua companheira Esther.

A ABL criou umpostal lembrando Fannyann Eddy, vinculando a homoafetividade feminina a campanha dos 16 dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres, no qual coloca a disposição de suas afiliadas para reprodução.



OBS: Esse postal também pode ser impresso devendo constar a promoção da SPM.







Contatos para orientação/ sugestão/ informação:

ABL- abl2006@gobo.com, abl.assessoriatecnica@gmail.com



Saudações homoafetivas



Yone Lindgren

Coordenação Campanha TMP

Orkut de Lésbicas

Um orkut aplicado apenas paras mulheres que tem prazer em conhecer outras mulheres.
www.paradalesbica.com.br

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

É compreensível em nossa época, a atenção dada aos dados epidemiológicos acerca da AIDS, uma doença existente no mundo inteiro e que atinge milhões de pessoas, independente de sexo biológico, identidade de gênero, orientação sexual, raça/etnia ou classe social. Desestigmatizar os inúmeros mitos da doença além de um desafio é um compromisso para tornar melhor a vida de nossa sociedade, promovendo a cidadania dos portadores e um avanço para a descoberta da cura.

Nesse sentido, os recursos são investidos para que toda a população tenha acesso à medicamentos e pesquisas, entretanto, é sabido que o segmento das mulheres lésbicas, bissexuais e pela invisibilidade de suas demandas, não são abrangidas pelas políticas públicas de combate à AIDS, implicando desperdícios de recursos com atenção à saúde e baixa eficácia no tratamento efetivo de suas necessidades.

Após o lançamento do Dossiê “Saúde das Mulheres Lésbicas: Promoção da eqüidade e da integralidade” pela Rede Feminista de Saúde, vieram à tona, informações que até então eram totalmente desconhecidas pelo próprio Movimento GLBT, as questões sobre saúde das Mulheres Lésbicas e Bissexuais, sempre se mantiveram à margem dos estudos, por não pertencer às categorias reprodutivas da sociedade. Portanto, na medida em que as reivindicações dos direitos sexuais não-reprodutivos, integram-se como parte dos direitos humanos das mulheres, sendo compreendidas como argumento que dá suporte às Lésbicas, suas especificidades vêm ganhando, nos últimos anos, apoios de diferentes atores e atrizes sociais (feministas, militantes lésbicas, técnicos de agências governamentais, como Ministério da Saúde e o da justiça)

No entanto ainda sofremos uma carência de informações para estimar o tamanho da população homossexual feminina, conhecer aspectos relacionados a crenças, atitudes e práticas vinculadas à saúde e à sexualidade, o que torna difícil a identificação das demandas como ponto de partida para a formulação de políticas públicas. Então para este projeto utilizamos como ponto de partida, informações de nossas reuniões com mulheres da cidade, dados coletados através de entrevistas pessoais e conversas informais, como também contribuições essenciais do Grupo de Mulheres Felipa de Sousa, organização pioneira neste tipo de projeto que permitiu inclusive o acesso ao material pesquisado e a utilização do Projeto “Espelho de Mim” como fonte.



“Difícil época a nossa em que se torna mais fácil quebrar um átomo do que um preconceito”
Albert Einstein

Conversas de Botequim apresenta: Brincando na Brilholândia


O cliente seguro

O garçom se aproxima de minha mesa. Perdição, só queria beber uma coca-cola. Ele pergunta:
_ Uma cerveja? Tem Antártica, já esquecida de meu propósito anterior de beber algo com menos álcool.
_ sim.
_ qual o preço. Ele me responde, R$ 3,20.Vem a cerveja e o garçom imediatamente vislumbra o cliente preferido. O primeiro de uma série. E o homem olha. E a lésbica olha. E a menina olha. E chega outro cliente preferencial. O garçom responde a algo dito:
_ A senhora pode, a senhora pode.
Observando aquelas poucas pessoas à volta, inicio minha segunda cerveja. O segundo garçom olha, parado na sarjeta e o primeiro garçom também olha, esperando que ao fundo das mesas alguém o chame. E espera o próximo cliente (neste momento em minha torta visão) amigo também, para sorrir e apertar a mão.
O garçom anda por entre todas as mesas, cumprimenta, sorri, conta piada – não pára na minha. A esta altura já estou com minha garrafa vazia e fora da “camisinha”. E vem o terceiro garçom, após rodear tantas mesas... Mais uma? Eu, já no auge de minha intrigante peregrinação respondo a “saideira”. Será? Chega uma moça. O garçom a leva até a mesa. Ela senta a minha frente. Tenho vontade de ir ao banheiro. Havia pedido uma única vez para que o segundo garçom olhasse minha bolsa. Mas desta vez havia a moça, ela poderia olhar minha bolsa (é chato estar no bar sozinha nestes momentos, só, com a bolsa). Então lhe pedi (a moça) que tomasse conta da bolsa por alguns instantes – não queria incomodar – acho que ela pensou em algo parecido com uma cantada. Por incrível que pareça, não era – inocência total – só queria estar ali, peregrinando. Volto à mesa momentos depois em tempo de ver o garçom cumprimentar um casal. O segundo garçom toma um “pito” do gerente: havia chegado um grupo e ele não vira. O terceiro garçom (um cara guerreiro) estava em outro plano, vigiando os outros dois. Após o último gole da terceira cerveja e percebendo que um único garçom estava disposto a me atender (o terceiro), observo o garçom conversando com a moça da não cantada (a tal). E ela diz: só vou beber uma, pois estou “dura”... Um rapaz bonitinho, ta bom! Um gato me observando. Talvez ele queira como eu somente observar, ou talvez seja tímido pra se aproximar, ou talvez seja tão ruim de cama que esteja vendo em mim aquelas coisas sabem, aquelas coisas de sexo casual, um beijo fugidio (nossa, será problema de auto-estima? (risos). Coitado, não sabe ele que seu olhar é apenas parte da Brilholândia e eu não estou a fim de nada com homens... os homens, credo!!!!
Voltando à moça que ia beber apenas uma, quando percebi a velha história da dureza, coisa que entendo muito bem, perguntei-lhe se queria beber a “saideira” comigo – ela disse não, inventou uma desculpa qualquer. Voltei-me então para o grupo que se juntara a lésbica (já citei ela). Tem umas meninas bonitas na mesa (riso contido). Eles me observam: gente sei que pra vocês parece estranho alguém sozinho no botequim, escrevendo e olhando diretamente pra vocês. É um hobby! É algo diferente do que estão acostumados a ver? (tudo isto eu apenas pensei). Eles percebem que estou escrevendo sobre eles. Disfarçam quando resolvo olhar-lhes nos olhos, ué, por que estão rindo? Disfarçam... riso amarelo. É engraçado, rio da cara deles... ah! Deixa pra lá... Se eu tentasse responder ao olhar eles provavelmente me achariam maluca. Cansei de ficar olhando. Então, abri o caderno e comecei a escrever. Quando levantei a cabeça, encontrei o casal aos beijos e a menina me olhando com ar curioso. Não consegui decifrar. Estranho olhar aquele. Estava cansada de não ser bem atendida. O garçom conversando com seus amigos clientes (os clientes seguros). O segundo garçom abstraindo, olhando as meninas. E o terceiro, bem, atende ao longe... É esperto, muito esperto. Tem amigos, um sorriso largado e com sua barriga proeminente, transpira boa vontade e ironia, pronto pra fazer amizade. Ele se aproxima e pergunta o que tanto escrevo, sorriso solto, se apresenta, se insinua, acho que me achou bonita. Conversamos um pouco – pareço irritada? Ele diz que sim. Falo mal de seu colega de trabalho, o garçom, só dá atenção aos que conhece. Ele defende – é que aquelas pessoas vêm aqui quase todos os dias, justifica... Justifica?!
De repente o bar enche. Terminou a última aula da universidade (quase 22 horas). Penso que é hora de minha retirada. O terceiro traz a conta e as meninas olhando sem parar. Penso em ficar, me aproximar, mas percebo um olhar enviesado da “fancha” farejando concorrência (imagina! Euzinha? Esquece... Estou tão desgarrada de minhas vontades que o tesão acaba ficando em segundo plano, mas ela não sabe disso, né). Uma última olhada, mostro pra moça do balcão o monte de garrancho e digo que será uma crônica. Ela não leva muita fé...
Uma última olhada. Um aperto de mão no terceiro garçom. Um sorriso e fui.
Por Márcia Ribeiro[i]

[i] Márcia Ribeiro é Bibliotecária, formada pela UFF e nas horas vagas escritora amadora.